126 Meditação

53. O ente — o seer — o homem


Tenso no (ente) que lhe é desprovido de clareira “é” tudo apenas “ente”.

[138] Um nunca pertence ao seer; nem é acessível para o ente enquanto tal.

E onde o ente parece se abrir para o ente como no animal, tudo permanece coberto apenas pelo ambiente, que se chama assim porque nunca consegue dar nada a um tal que jamais consegue pegar ou carecer; pois um tal bem só se essencia na clareira do ser, clareira essa que doa ao ente o aberto.

Só ao homem é própria a pertinência ao seer, porque ele é apropriado em meio ao acontecimento pelo seer e ele (o seer) mesmo é o acontecimento apropriativo e “apenas” isto.

E por isto o longo acontecimento da desapropriação, por isto a aparência que chama constantemente a atenção de que o seer seria o vazio da entidade, degradado no nível do suplemento da mera representação de objetos.

54. A fuga da essência por parte do homem
(Corpo vital — espírito — alma)


Mesmidade não retrorreferência a si — egoidade ou determinação-do-nós.

Mesmidade — insistência na verdade do seer. “Referência” ao seer. Todo discurso sobre a referência ao seer ê errôneo, logo que e na medida em que sempre se tem em vista aí algo do gênero de um objeto (de algo contraposto), algo apartado.

Fuga da essência. A partir de onde conhecemos a essência do homem? E nós podemos conhecê-la? E em que vemos e posicionamos a essencialidade da essência? Nem conservação, nem elevação, nem superação “do” homem (até aqui), mas pela primeira vez um saber acerca de sua essência e a história das consequências essenciais; o homem como animal, por isto corpo vital — alma — espírito; espírito apenas consequência e agregado da animalidade.


Martin Heidegger (GA 66) Meditação