VII. O seer e o homem 127

Muita coisa com certeza daquilo que é legado como realmente experimentado e apreciado movimenta-se no espaço, que é atravessado de maneira mensuradora pela fuga da essência.

O seer apenas a partir do ser-aí. Como é que acontecia, contudo, até aqui? [139] Em que medida a entidade é de qualquer modo um rastro do sem rastros; mas um rastro ininterpretável. A dispersão consolidada no ente. O continuar se mantendo nele. A aparência da liberdade desta postura. Essa liberdade como ramificação no que se encontra soterrado da clareira.

O fato de o homem passar sem o seer, desprezando-o, o fato de o seer não atentar para aquilo que é totalmente des-necessário (desprovido de indigência) e, por isto, o fundamento da ausência de indigência.

A solidão do vir-ao-encontro. O silenciamento da tonalidade afetiva. O impotente do acontecimento da apropriação.

Só o homem é evasivo em relação à sua essência e essa fuga determina sua história.

À fuga da essência não pertence apenas o desvio ante si mesmo no sentido do mero esquecimento de si. O si mesmo pode ser muito mais buscado e resguardado, cuidado e elevado e, contudo, o homem pode continuar na fuga em relação à sua essência.

55. O seer e o homem


O seer é dependente do homem; isto quer dizer: a essência do seer alcança a si mesma e recai na perda da essência, sempre de acordo com o fato de a essência do homem — a referência ontológica do homem — ser essencial para o homem e o fundamento da “humanidade”. O seer é, por conseguinte, entregue ao homem — à respectiva essencialidade do homem. Mas como isto se dá?

O seer chega por meio daí à serviçalidade em relação ao homem ou será que é apenas o homem que cai vítima de sua in-essencialidade, uma contrapartida do seer — da recusa?

Mas como se dá, então, a dependência do seer em relação ao homem? Ela é tolerada pelo seer, na medida em que ele concede


Martin Heidegger (GA 66) Meditação