TRANSIÇÃO 231


tipo de existência, o tipo de existência do filósofo; pois o diálogo não tem outra coisa por meta senão explicitar esse solo oriundo do modo do existir concreto e, com isso, por assim dizer, criar o meio no interior do qual o ente pode se mostrar em seu ser. Digo que essa nova fundação da pesquisa acerca do ser do ente é notável em relação ao ponto de partida próprio consideração grega do ser em geral, em relação à posição de Parmenides, na qual o ser é simplesmente determinado em correlação o νοεῖν (pensar). Isso é, em verdade, fundamentalmente o mesmo, na medida em que o filósofo é aquele, em um sentido insigne, νοεῖ (que pensa), que apreende, que considera, mas possui de qualquer modo uma diferença, uma vez que, em Parmenides, o νοεῖν (pensar) ainda permanece totalmente indeterminado. Não se fala se o νοεῖν (pensar) é um νοεῖν (pensar) de um determinado campo do ser ou do ente em geral; mas só se fala efetivamente do ser de maneira indeterminada, do mesmo modo que do νοεῖν (pensar). A transformação em relação [205] à pesquisa, não em relação ao resultado, reside no fato de o solo sobre o qual a questão acerca do sentido do ser é levantada ser agora concreto. A tarefa da apropriação do solo torna-se mais dificil, mas o resultado também se torna mais rico. É isso que se mostra no fato de o não ser também ser reconhecido em Seu ser, de ele ser ao menos colocado em questão para nós. Nos dois casos, tal como acontece em geral, vem à tona o fato de só se poder determinar algo sobre o ente com vistas ao Seu ser na medida em que o ente está presente, tal como dizemos, na medida em que o ente pode efetivamente vir ao encontro. A única coisa que está em questão é fixar o ente que vem ao encontro em seu modo mais imediato e mais originário de vir ao encontro e questionar no interior desse modo de vir ao encontro como o que ele se mostra. Essa é uma direção na qual a questão acerca do sentido do ente, acerca do ser, é levantada.

A outra direção acompanha imediatamente essa primeira em nome de uma investigação ontológica mais concreta, na medida em que o ente que vem ao encontro — na ontologia ingênua, esse ente é de início o mundo — vem ao encontro e se apresenta no ser-aí


Martin Heidegger (GA 19) Platão o sofista