cotidiano que fala sobre o mundo,23 de tal modo que, ao mesmo tempo, a discussão e a interpretação discursiva se tornam outro fio condutor, pelo qual a questão acerca do ser pode se orientar. Pergunta-se: como é que se mostra o ente, na medida em que ele é interpelado discursivamente, na medida em que ele e discutido, λεγόμενον? Essa questão acerca do ser a partir do fio condutor do λέγειν é ao mesmo tempo a origem propriamente dita da lógica no sentido grego não tem de inicio absolutamente nada em comum com o pensamento, mas se encontra totalmente A "lógica" no interior da tarefa da questão acerca do ser. Assim, O sofista — e, em geral, os diálogos de Platão que se agrupam em torno dele — representa uma transformação notável entre a posição de Parménides e a de Aristóteles, uma transformação que leva a termo todos esses impulsos iniciais da ontologia grega. Naturalmente, esse significado do dialogo O sofista sé se mostra se nós o concebermos de maneira suficientemente originária naquilo que não foi de modo algum resolvido e que não poderia ser resolvido em meio a essa posição. Restam [206] dificuldades fundamentais, que não tem como ser alijadas nessa posição e que estão presentes para nós.24 Portanto, não é apenas o mundo que vem ao nosso encontro, mas também o mundo na medida em que ele é interpelado discursivamente, que é dado nesse sentido duplo como fio condutor da investigação ontológica.
b) O (discurso) como fio condutor da investigação ontológica em Aristóteles ("onto-logia")
Portanto, o λόγος (discurso), a discussão do mundo e do ente, possui o papel de fio condutor na medida em que. no λεγόμενον (ser dito), o ente se faz presente. Mesmo lá onde a investigação acerca do ser, tal como em Aristoteles, vai além da dialética, do permanecer preso ao ente interpelado discursiva• mente, lançando-se em direção pura apreensão das ἀρχαί (dos
23 Observação marginal nos cadernos: o "é" no dizer e no enunciar simples.
24 Ver anexo.